É fácil falar sobre usabilidade, acessibilidade e afins. Mais fácil do que falar é avaliar esses critérios no trabalho dos outros . Isso me incomoda profundamente. Não por terem avaliado meu trabalho, a questão é que quando falamos de internet, a maioria dos profissionais olha apenas o próprio umbigo e esquece que um dia passaram por um processo de aprendizado.
Uma das melhores partes de trabalhar com web é a auto-avaliação que fazemos. Você termina um site e consegue mensurar o aumento do seu nível de conhecimento. Mas por nos tornarmos melhores, não ganhamos o direito de nos tornar analistas, isso não dá o direito de sairmos por aí criticando outros profissionais que não estão no mesmo nível. É preciso ser auto-crítico e ver que existem milhares de profissionais melhores. Eu, particularmente, não critico por isso aqui. Alguns anos atrás eu achava que era o cara.
É fácil para um profissional de web analisar outros sites. Não é raro descobrir que seu site é bem mais estruturado que outros, mas dar conselho é uma coisa, criticar reclamando é outra. Existem maneiras amigáveis de dizer a outros profissionais que aquela forma de raciocínio é errada.
Concordo que os famosos “sobrinhos” são, de certa forma, prejudiciais ao mercado. Mas, se muitos deles são profissionais em início de carreira e aprendizado, por que não mostramos a eles qual caminho seguir, ao invés de só dizer:
- Onde já se viu? Site em flash e tabela? Isso não pode e ponto final.
Não é melhor incluir argumentos e explicar o porquê de cada coisa? Auxiliando no aprendizado de novos profissionais, estaremos contribuindo para uma melhoria, ainda que pouco significativa, na qualidade do nosso mercado de trabalho.
Estou dizendo isso, pois essa semana acompanhei um episódio curioso numa lista de e-mail. Um participante disse que estava começando na área e queria opniões sobre o site que ele tinha desenvolvido. Foram mais de 20 respostas até onde acompanhei, onde apenas uma conceituava a opnião dada. Todas as outras se resumiam a reclamações e opniões pessoais do tipo “não gostei” sem ao menos citar o porquê. O participante que havia pedido ajuda, com relação à utilização de tecnologias que ele havia feito, só recebeu pedradas. Resumindo, ninguém ajudou e, muito menos, o recepcionou bem na lista.
Então, de que adianta melhorar a qualidade de nosso trabalho se não contribuirmos na melhoria de nossa área de atuação? Não estou dizendo que todos devem ter blogs e fóruns com tutoriais sobre internet. Mas se não for ajudar, não atrapalhe.
Os “sobrinhos” e seus “tios” sempre vão existir, mas existe muita gente por aí que não se encaixa nesse conceito, muitos estão apenas começando e querendo aprender. Se você é um bom profissional, com certeza você não deve se preocupar com isso. Agora se você está competindo com esses profissionais e quer exterminá-los do mercado, abra o olho. Pode ser que você seja um deles e não percebeu. Ser “sobrinho” não é questão de conhecimento, é questão de atitude.
2 Comentários em "Avaliando o trabalho de outros profissionais"
Poxa, muito bom seu post. Também já vi coisas do tipo em listas do tipo e fiquei pensando: “Se a idéia é “rede colaborativa” pq não colaborar?!?” É tão simples…
Obrigado pela participação Marina. Acontece como você citou e é simples gerenciar essa atitude. Mas muitos desconhecem que participar não significa, necessiaramente, colaborar.