Uma interface minimalista para publicação em blogs

Gostei muito da iniciativa do Svbtle. Eles possuem uma pegada minimalista pra tudo, desde o conceito até a interface. A essência do projeto é o ato de blogar (nada de post types, nada de widgets, nada de tags, nada de categorias), só artigos e mais nada.

A interface de administração possui apenas 2 colunas: uma para idéias, outra para os posts publicados. A tela de edição do post conta com apenas 2 campos: título e conteúdo. Só isso.

Óbvio que isso não é suficiente para projetos de grande porte, mas resolve a vida pra grande maioria dos blogs.

Isso até é algo que discuti esses tempos com o Seu Felipe. O WordPress é muito bom, mas é muito robusto para projetos simples.

Além desse post sobre a interface do Svbtle, recomendo que você navegue pelo site. Digno de vários posts no Little Big Details.

Fico no aguardo de um plugin que traga isso pro WordPress.

Porque o Instagram lançou uma versão Android

Não sei a data exata de lançamento da primeira versão do Instagr.am, sei que eu uso há pelo menos um ano. Atualmente o Instagram está na versão 2.2.1 no iOS e hoje (03/abr) foi oficialmente lançado a versão para Android.

Não vou entrar na discussão de qual sistema operacional é melhor, só gostaria de compartilhar uma coisa: números.

  • Em toda sua vida de iTunes Store, o Instagram obteve 34.104 avaliações na loja da Apple.
  • Em seu primeiro dia de Android, o Intagram obteve 32.917 avaliações no Google Play.

Repito: um dia.

Existem uma série de variáveis aí (momento, divulgação e popularidade são algumas delas) que devem ser levadas em conta antes de qualquer conclusão. Mas enquanto alguns vivem na bolha iPhone e acham que o Instagram deveria ser só deles, a empresa pensa além.

Meu chute é que a base de usuários do aplicativo deve ter triplicado. Ou até mais, se liga nesses 2 mil cadastros por minuto.

2 mil cadastros por minuto. Tem gente que não consegue isso na vida.

Ligeiro devaneio sobre foco/objetivo em carreira/negócios

Acho massa quando uma empresa consegue resumir sua atuação em um único conceito, quando ela realmente consegue entender qual é o foco do negócio. Exemplifico.

Hoje durante o almoço um amigo comentou que o foco da Renault não são carros, mas sim mobilidade. Transportar pessoas de um ponto a outro, independente disso significar produzir bicicletas ou investir na pesquisa para o teletransporte.

Saca a diferença? Daqui 20 anos pode ser que não existam mais carros, mas pode ser que a Renault ainda esteja viva, oferecendo soluções para o transporte de pessoas.

Entender qual é o core é a garantia de que seu negócio perdure, independente de qualquer mudança que ocorra no mercado. E o principal: te ajuda a se preparar pra essa mudança, independente dela ser a curto, médio ou longo prazo.

Parte desse pequeno raciocínio veio quando procurei saber mais sobre o Evernote. Além do aplicativo principal, eles possuem uma série de aplicativos secundários, todos com o mesmo foco: te lembrar. Eles possuem produtos que te ajudam a lembrar o que você comeu, quem você encontrou, o que você precisa ler, o que você precisa estudar. O slogan diz Remember Everything e é isso que eles focam. Sensacional.

(…)

Existem pessoas que trabalham com produto e acham que trabalham com serviço (e vice-versa), isso é uma filosofia suicida.

(…)

Quando falam que uma empresa faliu por falta de planejamento, eu sempre penso que não é falta. É carência ou inconsistência, ninguém abre uma empresa sem planejar.

(…)

Já passou a época em que podíamos falar “trabalho com internet”, hoje a coisa é bem mais ampla. Minha opinião é que precisamos focar mais em objetivos claros e menos em dinheiro. Dinheiro é consequência.

Quando eu achava que trabalha com Adsense monetização e blogs, na verdade eu trabalhava com produção de conteúdo. Quando eu achava que trabalhava com SEO, na verdade eu trabalhava com planejamento. E agora estou aqui, tentando definir de forma clara o que faço. Ainda não cheguei a uma conclusão.

Gosto de pensar que trabalho com soluções. Você tem um problema/objetivo, eu te ajudo a resolver/chegar lá. Mas isso ainda não está claro, é muito surreal tentar ser um Winston Wolf da internet.

E você? Trabalha com o que?

Créditos da foto: mauriciofajardo.

Code Academy: aprenda a programar de forma simples (e divertida)

Sempre pensei que deveriam existir formas mais práticas de ensinar desenvolvedores, ou qualquer outra pessoa que queira mexer com código, a aprender tudo de forma mais simples.

Existem coisas que, para quem entende, são extremamente fáceis. Mas na hora de colocar isso na cabeça, a coisa complica.

Didática é fundamental, deveríamos aprender mais por diversão/tesão do que obrigação.

Foi de um pensamento mais ou menos assim que surgiu o Code Academy, uma iniciativa simples para ensinar pessoas a programar. De graça.

Recomendo até pra quem já domina o assunto, vale a pena brincar com achievements e funções desenvolvidas na hora. Melhor que alguns parágrafos pra ensinar um simples “Hello World”.

Confere aí: codeacademy.com.

Controle alterações de texto com JavaScript

Ice é um JavaScript pra você controlar as mudanças feitas pelos usuários colaboradores em um texto. Tem uma demo aqui.

Foi desenvolvido pelo pessoal do New York Times para o CMS deles. Ou seja, estou deduzindo que é bom sem ao menos testar.

Tá lá, só pegar. NYTimes/Ice no GitHub.

Minha vó e o plantio de abacaxis

Eu olhando uma planta na horta:

– Vó, é um abacaxi? Pelo menos parece a coroa de um abacaxi.

– É, esse aí é um abacaxi.

– Sério que abacaxi nasce embaixo da terra? Eu não sabia disso.

– Não, ele não nasce embaixo da terra. A fruta vai sair ali no meio dessa folhas, apesar de ser parecido, isso não é a coroa dele.

– Ah, entendi. E como planta? É muda ou semente?

– É uma mudinha.

– Demora até poder colher o abacaxi?

– Depende. Se na hora de plantar você der só uma enxadada, leva um ano. Se der duas, leva dois. Se der três, já não nasce.

– …

– …

– …

– Esse aí eu dei uma enxadada só.

Créditos da foto: luchilu.

Vale a pena migrar para o HTML5?

Comecei a usar HTML 5 em todos os projetos (antes tarde do que nunca). É impossível não deixar escapar um ou outro código old school, mas é uma questão de tempo até ter um senhor HTML impecável.

O importante é tornar o HTML 5 uma questão cultural e não um simples <!DOCTYPE HTML> no início.

HTML 5 é só o começo. A hora que você coloca isso na cabeça, você dá o primeiro passo pra não ficar estagnado.

Porque os mendigos conversam sozinhos

O ônibus parou no ponto e eu vi um mendigo falando sozinho.

Seu nome era Adelmo e ele já havia sido muito rico. Talvez não tão rico, ele apenas levava uma vida confortável. Tinha um emprego de trabalho manual (marceneiro talvez), esposa, filhos e uma casa simples daquelas que o conjunto de xícaras possui mais de 8 anos e 5 unidades.

Você pode não saber, mas o universo existe por causa do homem. Cientistas não costumam acreditar nisso por conta de estudos da física quântica e todo aquele papo do Big Bang. Mas mesmo o Big Bang fora decisão de um grupo de indivíduos. Num plano alheio ao nosso alcance, o homem é apenas uma responsabilidade trivial desses indivíduos – algo como lavar a louça: você precisa fazer, mas essa não é sua maior preocupação. A vida dos homens segue contínua e, quando há necessidade, esses indivíduos interferem. É o caso das entidades de Blackold.

Todo o Big Bang fora pensado sistematicamente, mas um dos cálculos simultâneos havia saído errado – Aratura assumiu a culpa, mas todos sabiam que Jorn havia sido a responsável. Junto com os humanos, o Big Bang gerou vários grupos de entidades. Isso não fazia parte do plano, mas era impossível voltar atrás.

Blackold era o líder de um desses grupos, o qual foi dado o direito de conviver com os humanos mesmo que alguns deles não pudessem ser vistos – somente o grupo de Neila foi proibido de se manifestar no sistema solar. Durante séculos, juntamente com suas entidades, Blackold prejudicou os humanos. Em alguns momentos ele os ajudava mas, se colocásssemos numa balança, suas ações negativas sempre falavam mais alto.

Foi num evento conhecido com Cárcere Negro que os indivíduos decidiram interferir. Apenas um oitavo do grupo de Blackold não foi dizimado, o restante foi extinguido da existência pelos indivíduos. O próprio Blackold teria sucumbido não fosse o sacrifício das entidades sobreviventes em prol do líder. O que antes era um grupo de entidades, havia se tornado um único velho decrépito chamado Blackold. Aquela corcunda, o andar torto e a baixa estatura jamais lembravam o antigo líder de casta que ele havia sido.

O Cárcere Negro havia sido uma curva simples do universo, um evento natural. Blackold jamais teve culpa e ninguém saberia disso. Injustiça era um conceito que não cabia para os indivíduos.  Blackold desejou acabar com sua existência, mas não tinha poderes pra isso. Arrependido das vezes em que prejudicou os humanos, nos milênios que se sucederam Blackold passou a ajudar homens que, assim como ele, haviam perdido tudo injustamente.

Eram homens como Adelmo.

A vida de Adelmo mudou tão repentinamente que ele já não fazia questão de lembrar tudo de ruim que havia acontecido, foi um trauma tão grande que ele mal conseguia se comunicar com outras pessoas. Sua vida era perambular pelas ruas, dormir em becos e revirar latas de lixo. Ele não precisava de casa, ele não precisava de dinheiro, ele não precisava de nada. Blackold o acompanhava e era o único que o ouvia.

Adelmo era o único que via Blackold. Ele e todos aqueles que injustamente viviam às margens da sociedade, Blackold os acompanhava.

Logo em seguida o ônibus retomou seu caminho e eu continuei lendo meu livro.