Complicando os web standards

Quando você descobre pra que serve CSS tudo muda. Ao desenvolver um site sem tabelas nem se fala, ainda mais se você era adepto do “TableYes”. Passa algum tempo e você ouve falar de semântica, web standards e surgem algumas tags que você mal sabia que existiam, <abbr>, <dl>,<fieldset>,<optgroup>, <thead>, etc. Apesar de todo esse conhecimento, já reparou como complicamos algumas coisas?

Por exemplo, vejo muitas pessoas incluirem um form dentro de ‘<div id=”form”>’, sendo que, na maioria das vezes, isso é desnecessário pois um form já tem por padrão a propriedade “display:block”. Muitas vezes, não é nem por falta de conhecimento, mas sim, preocupação em deixar o site bem estruturado ou até mesmo pressa.

De vez em sempre, flagro alguns deslizes nos sites que desenvolvo. Aprendi a revisar rapidamente o trabalho do dia anterior assim que chego ao escritório[bb], ou quando volto do almoço. Com isso já consegui ajustar dezenas de divs e spans desnecessários.

Pode ser que não haja como escapar de inserir uma div dentro de uma ul (será?), mas você pode eliminar aquela “div class=titulo” que só possui um h2 dentro.

Para alguns pode parecer neurose, mas seguir os padrões é deixar seu site com código semântico, é retirar tabelas usadas para inserir backgrounds e, porque não, divs e span desnecessários, por mais que não atrapalhem ou interfiram no layout.

Quanto mais simples você desenvolve, acredite, mais fácil é modificar depois.

Site Prometido X Site Entregue

O que você oferece na hora de fechar um site? Já vi pessoas enviarem propostas enormes, oferecendo sistema de notícias, artigos, enquetes, estatísticas, cadastro de usuários, envio de newsletters. Calma, vamos parar por aí. Antes de gerar uma proposta, é necessário ter um briefing. O que o seu cliente vende? O que ele realmente precisa? Pode ser que aquela seção de artigos fique eternamente desatualizada e ele nunca envie uma newsletter sequer.

É um defeito nosso achar que, por incluir demasiadas opções em uma proposta, o cliente terá a impressão que somos excelentes profissionais. E aí que vem a dor de cabeça, o cliente espera muito mais do que podemos oferecer. Ele achou que a seção de notícias seria um novo portal do UOL, quando na realidade é apenas uma lista do que existe cadastrado. Será que faltou exemplificar isso? Ou será que foi maquiado na proposta?

A melhor forma de oferecer um serviço é vendendo-o como ele é. Sua proposta é para um site simples? Deixe isso bem claro ao cliente, seja sincero. Pois assim ele já sabe pelo que estará pagando. Você deixa de ouvir reclamações que o site não é o que ele esperava. Futuramente, você poderá oferecer, ou até mesmo ele irá solicitar, uma nova proposta de upgrade no site, incluindo serviços que se tornaram necessários automaticamente.

Já tem algum tempo que venho trabalhando e estudando uma metodologia diferente. Vejo o que o cliente precisa e faço, nada de adicionar serviços que não sejam necessários. Vou acompanhando as estatísticas de acesso e ofereço novas propostas para serviços que, de acordo com as estatísticas, vão trazer retorno e acelerar o desenvolvimento do site. O cliente consegue mensurar o retorno do investimento e avaliar o meu trabalho. Deixei de fazer um site administrativo para entrega-lo na mão do cliente. Vou acompanhando o site o tempo todo. Ganho menos? Inicialmente sim, mas prefiro receber mensalidades do que um valor fixo por 2 meses de sono e stress diário. Desse jeito, o cliente sai satisfeito, sabe pelo que está pagando e eu tenho menos dor de cabeça.

Por isso, volto a bater na tecla. O que seu cliente realmente precisa? Se sua proposta for bem elaborada e o cliente não gostar, não se preocupe, é porque nem ele sabe o que quer.

Críticas inúteis? Aqui não.

Todos os lugares que trabalhei até hoje consideram site como uma ferramenta de complemento ao marketing[bb], uma continuação do cartão de visitas. Então meu trabalho acaba sendo muito limitado. Photoshop[bb], Dreamweaver, site pronto, site entregue, próximo site e assim vai. Com os web standards tentei implantar uma metodologia diferente em alguns lugares, mas, muitas vezes, poucos estão abertos a opniões vindas de quem possui “pouco tempo” de mercado. Hoje faço o que posso para deixar todos os sites acessíveis e usuais, mas não dou murro em ponta de faca quando o cliente quer colocar uma barra de rolagem interna para o site não ficar muito grande (ele não gosta de sites que ultrapassam o tamanho do monitor[bb]), apenas aconselho e defendo o porquê da minha opnião.

Tenho um bom conhecimento? Acredito que sim, mas não perco tempo com trabalhos que não tem futuro. Se o cliente quer investir em internet, tem que estar disposto a ouvir, discutir e confiar no profissional, veja bem, o cliente é um aliado, afinal, ele entende muito mais sobre o produto dele. Eu apenas desenvolvo o site, ele fornece o conteúdo.

Com toda a experiência de clientes e locais de trabalho que não dão liberdade ao desenvolvimento do site, aprendi que, muitas vezes, não adianta ficar insistindo que fulano está errado. O melhor a fazer é fundamentar seus argumentos e esperar que ele ouça, se ele não ouvir, sinto muito, existem outros jobs na fila. Entrego o trabalho como ele quer. Ele sai satisfeito, eu não.

Isso vai acumulando e gerando uma certa indignação. Acompanho diversos sites onde isso reflete no conteúdo publicado e, de vez em quando, deteriora a qualidade dos mesmos (em outros casos, melhora). Mais do que uma válvula de escape, pretendo que esse blog compartilhe conhecimentos e exemplifique o cotidiano de quem trabalha com internet.

Então estou dando início a uma série de artigos (já escrevi alguns e irei publicar aos poucos) contando o que aprendo trabalhando com internet. Nada de reclamar críticas inúteis nesse blog, nada de avaliação de profissionais incapacitados. Soluções, dicas e novas idéias, isso sim. A intenção é abrir portas para discussões sobre uma internet mais criativa e funcional para todos.

Reclamações não, insatifação e indignação talvez.

Primeiro post

Nagueva no ar. Primeiro post. Boa sorte.

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