A perversão do fascista é a de acusar o outro de manipulação ideológica quando é ele o manipulador. É acusar o outro de impor um pensamento quando é ele que empreende todo os esforços para barrar qualquer pensamento. É impedir o diálogo denunciando o outro pelo ato que ele próprio cometeu. É nessa repetição de boçalidades que seguem os discursos de outros vereadores, invocando clichês bíblicos, lembrando de Sodoma e Gomorra e Adão e Eva, abusando de Deus.

Para perverter a realidade, o fascista conta com o consumismo da linguagem. Trata-se, como aponta Marcia Tiburi, de um vazio repleto de falas prontas. Não é um vazio silencioso, espaço aberto para buscar o outro, o inusitado, o surpreendente. Mas sim um vazio barulhento, abarrotado de clichês, de frases repetidas e repetitivas, usadas para se proteger do pensamento. Os lugares-comuns, neste caso específico a constante invocação de Deus e de leis bíblicas, são usados como um escudo contra a reflexão. Todo o esforço é empreendido para não existir qualquer chance de pensamento, ainda que um bem pequenino.

Daqui.

Here it goes again

Às vezes eu sinto falta de escrever.

Blog, por uns anos, era onde eu fazia isso. Era fácil compartilhar e a galera curtir. Nos últimos anos, as coisas mudaram e os blogs não morreram, mas mudaram o formato. Eu abandonei esse aqui. Não deletei, abandonei. Um série de amigos também abandonou o seu.

Hoje, não tem uma plataforma que centralize. O que quero escrever vai pra um chat, pra um grupo de email, pra um rascunho que nunca mais vou ver, pra uma série de tweets, eventualmente vai até pro Facebook. Mas não existe um lugar único.

Mesmo assim decidi retomar o blog. Passei meses pensando: “no próximo fim de semana vou fazer um layout novo”. Passei meses sem retomar nada. Maior erro.

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No melhor estilo The Sims, deixei o tema padrão do WordPress e vamos ver o que rola.

Se você fuçar o passado do seu blog você acaba deletando ele todo.

Deletei uns posts que eram só imagens ou vídeos mas mantive textos antigos (mesmo não gostando).

No que diz respeito à falta de escrever, vamos ver. Se não rolar, ao menos esse post terá seus anos de absoluta permanência na página inicial.

Gojee: dicas de receitas usando só ingredientes que você tem em casa

Pode não parecer, mas eu gosto de cozinhar. E gosto mais ainda quando preciso improvisar. Sabe quando a geladeira tá meia boca? Então, é nessas horas que saem os melhores pratos.

Mas confesso que algumas vezes não tô afim de ir no mercado, não to afim de desbravar minha cozinha carente de ingredientes. Pra essas horas agora tenho uma ajuda: o Gojee.

O Gojee é tão simples que resumi ele ali no título. Você diz os ingredientes que tem em casa e ele te dá uma lista de receitas que você pode fazer. A interface é linda e o serviço é (extremamente) útil.

Agora se você tiver só cebola e água na geladeira, aí não tem muito o que fazer. Vai no mercado cara.

Via: [tweet do @LochCCP]

Minha vó e o plantio de abacaxis

Eu olhando uma planta na horta:

– Vó, é um abacaxi? Pelo menos parece a coroa de um abacaxi.

– É, esse aí é um abacaxi.

– Sério que abacaxi nasce embaixo da terra? Eu não sabia disso.

– Não, ele não nasce embaixo da terra. A fruta vai sair ali no meio dessa folhas, apesar de ser parecido, isso não é a coroa dele.

– Ah, entendi. E como planta? É muda ou semente?

– É uma mudinha.

– Demora até poder colher o abacaxi?

– Depende. Se na hora de plantar você der só uma enxadada, leva um ano. Se der duas, leva dois. Se der três, já não nasce.

– …

– …

– …

– Esse aí eu dei uma enxadada só.

Créditos da foto: luchilu.

Porque os mendigos conversam sozinhos

O ônibus parou no ponto e eu vi um mendigo falando sozinho.

Seu nome era Adelmo e ele já havia sido muito rico. Talvez não tão rico, ele apenas levava uma vida confortável. Tinha um emprego de trabalho manual (marceneiro talvez), esposa, filhos e uma casa simples daquelas que o conjunto de xícaras possui mais de 8 anos e 5 unidades.

Você pode não saber, mas o universo existe por causa do homem. Cientistas não costumam acreditar nisso por conta de estudos da física quântica e todo aquele papo do Big Bang. Mas mesmo o Big Bang fora decisão de um grupo de indivíduos. Num plano alheio ao nosso alcance, o homem é apenas uma responsabilidade trivial desses indivíduos – algo como lavar a louça: você precisa fazer, mas essa não é sua maior preocupação. A vida dos homens segue contínua e, quando há necessidade, esses indivíduos interferem. É o caso das entidades de Blackold.

Todo o Big Bang fora pensado sistematicamente, mas um dos cálculos simultâneos havia saído errado – Aratura assumiu a culpa, mas todos sabiam que Jorn havia sido a responsável. Junto com os humanos, o Big Bang gerou vários grupos de entidades. Isso não fazia parte do plano, mas era impossível voltar atrás.

Blackold era o líder de um desses grupos, o qual foi dado o direito de conviver com os humanos mesmo que alguns deles não pudessem ser vistos – somente o grupo de Neila foi proibido de se manifestar no sistema solar. Durante séculos, juntamente com suas entidades, Blackold prejudicou os humanos. Em alguns momentos ele os ajudava mas, se colocásssemos numa balança, suas ações negativas sempre falavam mais alto.

Foi num evento conhecido com Cárcere Negro que os indivíduos decidiram interferir. Apenas um oitavo do grupo de Blackold não foi dizimado, o restante foi extinguido da existência pelos indivíduos. O próprio Blackold teria sucumbido não fosse o sacrifício das entidades sobreviventes em prol do líder. O que antes era um grupo de entidades, havia se tornado um único velho decrépito chamado Blackold. Aquela corcunda, o andar torto e a baixa estatura jamais lembravam o antigo líder de casta que ele havia sido.

O Cárcere Negro havia sido uma curva simples do universo, um evento natural. Blackold jamais teve culpa e ninguém saberia disso. Injustiça era um conceito que não cabia para os indivíduos.  Blackold desejou acabar com sua existência, mas não tinha poderes pra isso. Arrependido das vezes em que prejudicou os humanos, nos milênios que se sucederam Blackold passou a ajudar homens que, assim como ele, haviam perdido tudo injustamente.

Eram homens como Adelmo.

A vida de Adelmo mudou tão repentinamente que ele já não fazia questão de lembrar tudo de ruim que havia acontecido, foi um trauma tão grande que ele mal conseguia se comunicar com outras pessoas. Sua vida era perambular pelas ruas, dormir em becos e revirar latas de lixo. Ele não precisava de casa, ele não precisava de dinheiro, ele não precisava de nada. Blackold o acompanhava e era o único que o ouvia.

Adelmo era o único que via Blackold. Ele e todos aqueles que injustamente viviam às margens da sociedade, Blackold os acompanhava.

Logo em seguida o ônibus retomou seu caminho e eu continuei lendo meu livro.

Filosofia, mediocridade, a SOPA e a PIPA

Alguns quotes de um texto que acabei de ler.

Ayn Rand é uma filósofa russa naturalizada americana que viu com os próprios olhos quando era criança o fucking governo comunista-socialista soviético transformar a pequena farmácia que o pai dela construiu com tanto trabalho em um bem público do governo.

Fugida da maluquice dos socialistas soviéticos, Ayn Rand foi viver em Nova Iorque nos EUA onde conheceu o Capitalismo com C maiúsculo.

Pausa: Pra você que é um pseudo-esquerdista, se coloque no lugar deste comerciante e responda porque o socialismo é tão bom assim. Queira você ou não, o capitalismo é nosso destino. É tarde pra mudar isso.

Continuando: Ayn Rand escreveu um livro chamado Atlas Shrugged, em 1957. Esse livro fala sobre uma série de coisas que estão acontecendo agora (mais de 50 anos depois de sua publicação).

Em Atlas Shrugged, Ayn Rand fala sobre um mundo que vai para o saco quando a galera dos bancos & investidores transformam a sociedade em uma arena de especulação. Atlas Shrugged fala sobre um mundo onde ganha-se mais dinheiro especulando com dinheiro do que produzindo, inovando e empreendendo coisas bacanas.

Eis uma verdade: a maioria das pessoas usa seu conhecimento pra ganhar dinheiro, e não pra inovar. E acho pouco provável que façamos parte da minoria.

Em Atlas Shrugged, Ayn Rand fala sobre um mundo onde os intelectuais resolvem cair fora e fazer greve porque cansam de viver em um lugar medíocre onde as pessoas só querem falar sobre mediocridades, arrumar emprego público, conseguir ajuda do governo etc etc etc

Sem comentários. E agora a parte que mais me chamou a atenção:

Em Atlas Shrugged, Ayn Rand fala sobre um mundo onde o governo passa a controlar absolutamente tudo frente a tamanha expansão das ferramentas inovadoras criadas pelos empreendedores da história para proporcionar liberdade de expressão e riqueza para todos.

(…) a Wikipedia anunciou que vai tirar a Wikipedia em língua inglesa do ar por 24 horas em protesto contra duas leis americanas, a SOPA e a PIPA, que se forem aprovadas vai atrapalhar a liberdade de expressão na internet.

Segundo essas leis, qualquer comentário feito por qualquer pessoa em qualquer site é culpa dos criadores do site. Segundo essas leis, quem paga o pato pela promoção de alguma besteira na internet (pedofília, ódio etc) seriam os CRIADORES dos sites, ou seja Wikipedia, Google, Facebook etc, e não quem sacaneou ou trollou a besteira ou o ódio.

Facebook, Google e Twitter estão cogitando tomar a mesma atitude e desligar seus sistemas por 24 horas em protesto contra a lei que coloca os TROLLS no trono e detona os criativos do mundo.

É a Profecia de Ayn Ran se concretizando.

É a fucking mediocridade tomando conta da porra da televisão (big brother), da economia (especuladores) e da livre produção de idéias empreendedoras (trolls da web).

Enquanto todas as ferramentas inovadoras são usadas de forma medíocre, um governo (também medíocre) pune os criativos num ato covarde que vai contra a liberdade de expressão. Só isso.

Para saber mais: A Profecia de Ayn Rand.

O homem que vive com apenas 15 coisas

Enquanto milhões de pessoas querem ter sempre mais pra viver melhor, Andrew Hide fez justamente o oposto, ele vive com apenas com o necessário: exatos 15 objetos.

Ele não é pobre e não precisa de ajuda, Andrew é mais rico do que você imagina. Ele trabalha como consultor de empreendedores, é fundador da Startup Weekend e organizador do TEDxBoulder.

Como está sempre viajando entre Nova York e o Vale do Silício, Andrew não possui residência fixa e sempre carrega seus 15 objetos pessoais. Ele conta que sempre se interessou pelo conceito de minimalismo e tentava se contentar com apenas 100 itens, em agosto de 2010 ele vendeu a maioria dos pertences e só ficou com 15 objetos:

  1. Mochila Arc’teryx Miura
  2. Camiseta NAU
  3. Camisa NAU
  4. Capa de chuva da Mammut
  5. Camiseta da Arc’teryx
  6. Shorts de corrida da Patagonia
  7. Toalha de secagem rápida
  8. Jaqueta de lã NAU
  9. Kit de higiene
  10. Óculos de sol
  11. Carteira
  12. Macbook Air
  13. iPhone 3GS
  14. Calça jeans
  15. Tênis de corrida

A única exceção são meias e cuecas, que ele possui um estoque separado. Ele possui apenas duas camisas e as reveza: um dia sim, um dia não pra cada.

E você, conseguiria viver só com isso? Se eu tivesse dinheiro de sobra, viveria com apenas 3: carteira, Macbook e iPhone. Tudo bem que eu teria que comprar roupas novas todo dia, mas enfim…

Brincadeiras à parte, apesar de achar Andrew extremista, acho que todos deveriam se empenhar em consumir menos. Deve fazer bem.

Via: [Oddity Central]

Get Back

Beatles cantando Get Back no telhado

Houve um tempo em que a internet era um mar de mistério. Pelo menos pra quem trabalhava com isso.

Sites em tabela, Flash, Web 2.0, CSS, comunicação integrada, poucos sabiam onde tudo isso ia dar. Mas tava todo mundo lá, arrumando uma forma de ganhar dinheiro e se estruturar. “Internet é o futuro” diziam eles.

Lembro dos primeiros blogs, desenvolvedores ganhando tempo com open-source, a gente tentando ensinar leigos a usar RSS, Youtube surgindo, Bloglines, Megaupload, Web Standards, orientação a objeto, segunda bolha da internet. Mano, era uma zona.

Era uma zona porque cliente não botava fé na internet, agência não sabia onde pisava e quem botava a mão na massa estava sedento por informação. Sobrava conhecimento na mão-de-obra, faltava experiência.

Consigo me enxergar claramente nesse cenário porque foi o que vivenciei. Não tenho dúvidas de que existem outros pontos de vista, mas essa era a minha vida.

Pulei da ilustração, pra animação em Flash, pro site em Flash, pro site, pro Web Design e por aí foi. Quando aprendi padrões web (obrigado Maujor e Tableless), achei que ia mudar o mundo com HTML. Estudei metodologias ágeis, frameworks PHP, javascript, Ruby on Rails, muita coisa. Eu realmente já estudei muito, me orgulho dessa época e me envergonho por não ser mais tão empenhado assim.

Estudei tanto que comecei a achar que eu era um guru. Se eu era um guru, por que não escrever artigos? Criei um blog pra isso e, de quebra, comecei a mexer com WordPress.

De lá pra cá, já foram 5 anos. Criei uma infinidade de outros blogs e aprendi muito de SEO, planejamento e gestão de projetos. Tudo que eu queria testar, ia pra esse primeiro blog. Ele ficou zoado, muita coisa inútil, muito teste de link building, muito teste de WordPress, muito teste de tudo.

Sou extremamente perfeccionista, me dava asco entrar no painel de administração do site e ver o caos instaurado.

Resumo da história: transferi o conteúdo do site, deletei tudo que tinha no servidor e comecei de volta.

O nagueva.com voltou a ser um blog, blog mesmo. E esse é o primeiro post.

(8) Get back (tundundum), get back (tundundum), get back to where you once belonged.