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Aprendizado na era da informação

Não gosto de dizer que vivemos em uma época de excesso de informações. Me incomoda esta aplicação da palavra excesso, prefiro dizer que vivemos em uma época de fácil acesso e divulgação de informações. A evolução ampliou a quantidade de informações que chegam até nós e é comum que tenhamos de lidar com diversos fatos irrelevantes ao nosso cotidiano.

city1.jpg Não tem como ficar intangível ao excesso de informações que somos expostos.

Com as diversas mídias que temos hoje (TV[bb], rádio, jornais, revistas e mais especificamente internet), aprendemos a filtrar essas informações à nossa maneira priorizando aquilo que nos apetece.

info.jpg E aí, qual informação você vai seguir?

Essa liberdade, esse filtro que fazemos das informações, deixa-nos satisfeitos devido à facilidade com que assimilamos cada assunto. A parte ruim, é que essa satisfação resulta muitas vezes, numa falsa sensação de domínio do tema. É óbvio que se estivermos falando de acontecimentos (Big Brother Brasil ou futebol[bb] por exemplo) basta reunir informações para se tornar um especialista no assunto ( sem preconceitos por favor). Mas se tratarmos de conceitos maiores, o simples ato de filtrar e assimilar informações pode não ser suficiente.

O que eu quero dizer com isso? Digamos que João é aficcionado por ilustração e passa o dia lendo blogs e portais sobre o assunto. O fato de manter-se informado sobre os conceitos e acontecimentos da área não vai torná-lo um ilustrador de sucesso. Ele precisa se esforçar para que isso aconteça, ou seja, aprender a desenhar cada vez melhor.

A metáfora do arroz (sic)

Digamos que você precisa, sabe como fazer, mas nunca cozinhou arroz. Basicamente basta colocá-lo na água em fogo baixo e esperar a água secar. Mas, existem alguns pontos como tempo de cozimento, qualidade do arroz e tempero, que somente fazendo você vai aprender a lidar com cada um. Depois de pronto, você pensa o que pode ser mudado(ou não) para o arroz ficar mais gostoso na próxima vez.

arroz.jpg Depois de pronto é que você vai dizer que realmente sabe cozinhar arroz.

Concorda que, antes de iniciar, você achava que sabia como cozinhar e na verdade você só sabia como começar? Depois de fazer algumas vezes, você pode se dar ao luxo de dizer que é um especialista(sic). Agora encare esse arroz como outra coisa. Você não pode garantir um arroz de sucesso se nunca nunca tentou cozinhá-lo.

Já disse, o arroz é uma metáfora, você pode substituí-lo por termos como empreendedorismo[bb], design, desenvolvimento web, cotidiano com clientes e inúmeras áreas e casos.

chef.jpg Consegue entender porque algumas empresas só contratam pessoas com experiência?

Ao colocar em prática o seu conhecimento, você esbarra com problemas que não haviam sido previstos e precisa resolvê-los e é nesse ponto que você está efetivamente aprendendo.

A prática leva à perfeição (ou quase lá)

Após aprender, é necessário aperfeiçoar e, nesse ponto, o ciclo recomeça pois sempre há algo que pode ser melhorado.

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No fim das contas, o que realmente importa não é o quanto você é informado sobre determinado assunto, mas sim o quanto você já aprendeu aplicando essa informação.

Mais sobre o assunto

Avaliando o trabalho de outros profissionais

É fácil falar sobre usabilidade, acessibilidade e afins. Mais fácil do que falar é avaliar esses critérios no trabalho dos outros . Isso me incomoda profundamente. Não por terem avaliado meu trabalho, a questão é que quando falamos de internet, a maioria dos profissionais olha apenas o próprio umbigo e esquece que um dia passaram por um processo de aprendizado.

Uma das melhores partes de trabalhar com web é a auto-avaliação que fazemos. Você termina um site e consegue mensurar o aumento do seu nível de conhecimento. Mas por nos tornarmos melhores, não ganhamos o direito de nos tornar analistas, isso não dá o direito de sairmos por aí criticando outros profissionais que não estão no mesmo nível. É preciso ser auto-crítico e ver que existem milhares de profissionais melhores. Eu, particularmente, não critico por isso aqui. Alguns anos atrás eu achava que era o cara.

É fácil para um profissional de web analisar outros sites. Não é raro descobrir que seu site é bem mais estruturado que outros, mas dar conselho é uma coisa, criticar reclamando é outra. Existem maneiras amigáveis de dizer a outros profissionais que aquela forma de raciocínio é errada.

Concordo que os famosos “sobrinhos” são, de certa forma, prejudiciais ao mercado. Mas, se muitos deles são profissionais em início de carreira e aprendizado, por que não mostramos a eles qual caminho seguir, ao invés de só dizer:

- Onde já se viu? Site em flash e tabela? Isso não pode e ponto final.

Não é melhor incluir argumentos e explicar o porquê de cada coisa? Auxiliando no aprendizado de novos profissionais, estaremos contribuindo para uma melhoria, ainda que pouco significativa, na qualidade do nosso mercado de trabalho[bb].

Estou dizendo isso, pois essa semana acompanhei um episódio curioso numa lista de e-mail. Um participante disse que estava começando na área e queria opniões sobre o site que ele tinha desenvolvido. Foram mais de 20 respostas até onde acompanhei, onde apenas uma conceituava a opnião dada. Todas as outras se resumiam a reclamações e opniões pessoais do tipo “não gostei” sem ao menos citar o porquê. O participante que havia pedido ajuda, com relação à utilização de tecnologias que ele havia feito, só recebeu pedradas. Resumindo, ninguém ajudou e, muito menos, o recepcionou bem na lista.

Então, de que adianta melhorar a qualidade de nosso trabalho se não contribuirmos na melhoria de nossa área de atuação? Não estou dizendo que todos devem ter blogs e fóruns com tutoriais sobre internet. Mas se não for ajudar, não atrapalhe.

Os “sobrinhos” e seus “tios” sempre vão existir, mas existe muita gente por aí que não se encaixa nesse conceito, muitos estão apenas começando e querendo aprender. Se você é um bom profissional, com certeza você não deve se preocupar com isso. Agora se você está competindo com esses profissionais e quer exterminá-los do mercado, abra o olho. Pode ser que você seja um deles e não percebeu. Ser “sobrinho” não é questão de conhecimento, é questão de atitude.

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